
Photo: (c) Tyler Ekholm, some rights reserved (CC BY), CC BY 4.0, Wikimedia Commons
Beldroega
Portulaca oleracea
ComestívelUma erva de verão gorda e suculenta das hortas portuguesas que é uma das fontes vegetais mais ricas em gorduras ómega-3 que se conhecem.
Confunde-se com
Perigo: Tóxicas e cáusticas. O látex queima a boca e a pele e pode causar lesões oculares permanentes. As leiteiras rastejam exatamente no mesmo solo quente e descoberto, e as formas achatadas parecem mesmo semelhantes vistas de cima.
Como distinguir: Parte um caule. A leiteira sangra látex branco leitoso num segundo ou dois; a seiva da beldroega é transparente e aquosa. As folhas da leiteira são finas e achatadas, não gordas e suculentas, e as formas rastejantes têm muitas vezes uma mancha escura. Faz este teste de partir o caule em cada planta que colheres, não uma vez por mancha, porque as duas crescem misturadas.
Perigo: Nenhum digno de preocupação; as formas de jardim são a mesma espécie.
Como distinguir: Maiores, mais direitas, muitas vezes de folha dourada. Come-as da mesma maneira.
Folhas
Espessas, lisas e suculentas como a folha pequena de uma planta-jade, 1-3 cm, em forma de colher ou de pá com a ponta arredondada, muitas vezes amontoadas numa roseta nas pontas dos ramos. Partem com um estalido sumarento em vez de rasgarem. Sobretudo alternas, mas tão amontoadas que podem parecer opostas.
Flores
Pequenas, 5-10 mm, amarelas com cinco pétalas, colocadas onde as folhas se juntam nas pontas dos caules. Abrem apenas com sol forte de manhã e fecham ao meio-dia, por isso podes nunca as ver. A cápsula da semente abre-se como uma tampa minúscula para libertar muitas sementes pretas.
Caule
Redondo, liso, sem pelos, nitidamente carnudo e inchado, normalmente rosa-avermelhado a vermelho-arroxeado, irradiando rente ao chão a partir de uma raiz principal central. Maciço e cheio de água.
Smell or taste
Sem cheiro percetível. Confirmada como segura uma vez identificada; o sabor é estaladiço, sumarento, ligeiramente salgado e agradavelmente ácido à tarde, mais suave de manhã.
Habitat
Solo quente e descoberto: canteiros de hortaliça regados, saibro, bermas de caminhos, fendas em quintais, areia costeira. É a erva emblemática de verão das hortas portuguesas e alentejanas, e a base da tradicional sopa de beldroegas.
Edible parts
Folhas, caules, botões florais e sementes.
Preparation
Corta as pontas com tesoura, deixando 2 a 3 cm de caule para a planta rebrotar em quinze dias. Lava com cuidado, já que fica rente ao solo e esconde areia entre as folhas amontoadas. Crua é excelente: pica caules e folhas para uma salada de tomate, onde a crocância e a leve salinidade fazem o trabalho de um pepino. Cozinhada, engrossa como quiabo por causa da sua mucilagem. Para a sopa alentejana, refoga alho e um tomate picado em azeite, junta 1 litro de água e uma batata em cubos, deixa cozer 15 minutos, depois junta 300 g de beldroega picada durante 5 minutos e escalfa um ovo por pessoa no caldo. Acaba com pão. Também fica bem em conserva: encaixa os caules num frasco, cobre com uma salmoura fervida de 1 parte de vinagre, 1 parte de água e 30 g de sal por litro, e guarda no frigorífico até um mês. As sementes podem ser colhidas no fim do verão, secas e moídas para esticar a farinha.
Uso tradicional
Uma planta alimentar mais do que um medicamento em Portugal, na Grécia e no Levante, embora fosse tradicionalmente vista como refrescante no calor do verão. O interesse moderno é nutricional: tem níveis invulgarmente altos de ácido alfa-linolénico para um vegetal de folha.
Harvest rule
Uma erva anual prolífica, por isso colhê-la é fazer um favor a um horticultor. Corta em vez de puxar, deixa algumas plantas dar semente, e lembra-te de que as hortas onde cresce são quase sempre propriedade privada em Portugal, por isso pede autorização. A lei da colheita varia de país para país. Dentro de áreas protegidas do ICNF e de sítios da Rede Natura, verifica antes de colher.
Beldroega (PT), verdolaga (ES), pourpier (FR)