
Photo: Kurt Stüber [1], CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons
Salva
Salvia officinalis
ComestívelUm arbusto lenhoso verde-acinzentado do Mediterrâneo, cuja folha granulada e aveludada é a erva de gargarejo da Europa há mil anos.
Confunde-se com
Perigo: As sálvias ornamentais vão de inofensivas a psicoativas e não são plantas culinárias.
Como distinguir: A salva-comum tem folhas espessas, acinzentadas, de feltro branco e finamente granuladas, sobre uma base lenhosa. As sálvias ornamentais são normalmente mais verdes, de folha mais fina, mais macias e cultivadas por flores vistosas, e não têm o cheiro quente a cânfora da salva verdadeira.
Perigo: Inofensiva mas inútil como erva.
Como distinguir: A orelha-de-cordeiro é muito mais lanosa, densamente peluda e branca dos dois lados como feltro, e não tem qualquer cheiro aromático quando esfregada. A salva cheira intensamente a cânfora.
Folhas
Opostas, oblongas a lanceoladas, de 3 a 10 cm de comprimento e 1 a 3 cm de largura, verde-acinzentadas, espessas e cobertas de um feltro branco fino, de modo que parecem camurça macia ao tato. A superfície é finamente granulada ou acolchoada entre uma rede saliente de nervuras, e o bordo tem dentes redondos muito finos.
Flores
Flores bilabiadas azul-violeta, por vezes rosa ou brancas, de 2 a 3 cm de comprimento, em verticilos muito espaçados ao longo de uma espiga no topo dos rebentos. O lábio superior é encapuzado e o inferior é largo, a forma clássica da família da menta.
Caule
Quadrangular quando novo e verde, tornando-se redondo, lenhoso, acinzentado e de casca esfarrapada na base. A planta inteira é branco-lanosa na rebentação nova.
Smell or taste
Forte, quente, a cânfora e ligeiramente apimentada quando se esfrega uma folha, imediatamente reconhecível e diferente de tudo o resto num jardim português. A salva é uma planta culinária confirmada, e a folha sabe a salgado e resinoso, mas nunca use o sabor como identificação.
Habitat
Encostas secas e soalheiras, canteiros de jardim, terreno calcário rochoso e hortas de ervas. Nativa do norte do Mediterrâneo e muito cultivada por todo o Portugal, onde prospera em solo pobre e seco.
Edible parts
Folhas, como erva de cozinha.
Preparation
Corte os rebentos antes da floração, de manhã depois de o orvalho ter secado. Pendure pequenos molhos numa sala escura e arejada durante uma a duas semanas, ou separe as folhas e seque-as estendidas, até ficarem quebradiças. A salva seca muito bem e mantém a força durante um ano ou mais num frasco escuro e bem fechado. Infusão para um gargarejo tradicional: uma colher de chá de folha seca numa chávena de água quente, tapada dez minutos, coada e deixada arrefecer até ficar confortavelmente morna antes de gargarejar e cuspir. Como erva de cozinha, as folhas inteiras fritam-se brevemente em azeite ou manteiga, ou juntam-se a feijoadas e carne de porco de cozedura lenta. O óleo essencial de salva e os extratos fortes de salva são um assunto à parte: contêm tujona, não são seguros de fazer nem de dosear em casa, e esta aplicação não dá doses para eles.
Uso tradicional
A salva era tão valorizada na Europa medieval que o velho dito perguntava porque havia de morrer alguém que tivesse salva na horta. Por todo o Portugal e o Mediterrâneo, uma infusão morna de salva tem sido tradicionalmente usada em gargarejos para uma garganta em carne viva e para a voz rouca, e como bochecho para gengivas doridas. Tem uma velha reputação como erva para os suores da meia-idade e como erva secante e refrescante na prática popular, e os cozinheiros sempre a usaram com carnes gordas e feijão. História e costume de cozinha, não medicina. Uma dor de garganta com febre alta, dificuldade em engolir ou em respirar, ou que dure mais do que alguns dias, precisa de um médico.
Harvest rule
Corte os rebentos com tesoura, nunca mais de um terço do arbusto de cada vez, e nunca na madeira velha e desfolhada, que não rebrota. Não arranque pela raiz. A salva é fácil de propagar por estaca, por isso plante a sua em vez de cortar em manchas mediterrânicas silvestres, algumas das quais estão protegidas localmente. Peça autorização ao proprietário e verifique as regras locais, que variam de país para país e são rigorosas em áreas protegidas.
Salva, salva-comum (PT); salvia (ES)