Cultivar Quase Sem Água
Sequeiro, espaçamento e a produção que custa
6 minIntermédioAtualizado
- Explicar como a humidade armazenada no inverno leva uma cultura de verão até ao fim
- Usar espaçamento, mulch e escolha de variedade em vez de rega
- Dizer honestamente o que o sequeiro custa em produção
O princípio
Cultivar em sequeiro significa produzir uma cultura de verão com a água armazenada no solo vinda da chuva de inverno, com pouca ou nenhuma rega. Funciona onde a chuva de inverno é de pelo menos 400 a 500 mm e o solo é suficientemente fundo para a armazenar, idealmente um metro ou mais de solo franco ou franco-argiloso, que pode reter 150 a 200 mm de água disponível por metro de profundidade. O solo arenoso retém apenas 60 a 90 mm por metro e não consegue fazê-lo. O trabalho é então evitar que essa reserva fuja: cobrir a superfície, impedir as ervas daninhas de a beberem e espaçar as plantas de modo que cada uma tenha volume de solo suficiente só para si. As raízes descem 1,5 a 2 metros num tomateiro de sequeiro, contra 40 cm num regado.
Mulch espesso e mulch de poeira
O mulch orgânico é a primeira defesa: 7 a 10 cm de palha, folhas ou feno estragado reduz a evaporação do solo nu em 50 a 70 por cento e mantém a temperatura da superfície 5 a 10 graus mais baixa. Aplique-o na primavera, enquanto o solo ainda está cheio, e não em julho, quando já está vazio. O mulch de poeira é a velha alternativa das terras secas onde falta material para mulch: sachar superficialmente os 3 a 5 cm de cima depois de cada chuva, o que quebra os canais capilares que puxam a água à superfície e deixa uma camada solta e seca funcionar como tampa. Resulta, é o que os agricultores alentejanos fizeram durante séculos, e tem de se manter superficial, porque sachar mais fundo corta justamente as raízes que está a proteger. Nunca faça mulch de poeira num declive onde o vento e a chuva vão levar a camada solta.
Espaçamento largo e sem ervas
Cada planta precisa de um reservatório só seu. Os tomateiros de sequeiro ficam a 1,2 a 1,8 metros uns dos outros em vez dos habituais 45 a 60 cm; os melões e as abóboras a 2 a 3 metros; o milho vai em covas bem espaçadas em vez de linhas densas; a vinha fica tradicionalmente a 1,5 a 2,5 metros em encostas de sequeiro. Plante fundo, em solo húmido, e plante cedo para que as raízes estejam em baixo antes do calor. Aqui as ervas daninhas não são uma questão de arrumação, são concorrentes diretos a beber da mesma reserva, e um canteiro de sequeiro com ervas vai falhar. Mantenha o terreno limpo em todo o círculo de espaçamento, e não apenas à volta do caule. Não faça consociação nem enfie uma cultura intercalar; a densidade é exatamente aquilo de que está a abdicar.
Variedades que aguentam
Escolha variedades de polinização aberta, adaptadas localmente, muitas vezes antigas, com raízes fundas e folhas pequenas. Para o tomate, o clássico de sequeiro é a Early Girl, a par de muitos tipos italianos e ibéricos para molho. Os melões e as melancias têm naturalmente raízes fundas e dão-se bem em sequeiro. Figueiras, oliveiras, amendoeiras, vinhas, romãzeiras e alfarrobeiras são todas cultivadas em Portugal sem água no verão depois de instaladas, tipicamente ao fim de dois ou três anos de rega de apoio. Leguminosas como a fava e o grão-de-bico são culturas de inverno e primavera que terminam antes da seca. Evite os híbridos modernos de alta produção criados para rega, e evite alface, aipo, pepino e tudo o que tenha raiz superficial, que simplesmente não pode ser cultivado em sequeiro.
O que custa
Sem ilusões. Os tomateiros de sequeiro produzem tipicamente 30 a 50 por cento menos por planta do que os regados, e como o espaçamento é duas a três vezes mais largo, a produção por metro quadrado pode ser um quarto a metade da de um canteiro regado. O fruto é mais pequeno. Em troca, o sabor e a concentração de matéria seca são claramente melhores, que é a razão pela qual o tomate e as uvas de sequeiro se vendem a prémio, e a cultura não custa água, nem bombas, nem tubagem. A forma honesta de usar isto: cultive em sequeiro as culturas que o compensam, tomate para molho, melões, abóboras, vinhas e árvores, e gaste a sua água limitada nas culturas de salada e folha de raiz superficial que não sobrevivem sem ela. Essa combinação alimenta uma casa com muito menos água do que regar tudo.
Testa-te
Depende de um solo fundo que armazena a chuva de inverno, cerca de 150 a 200 mm de água disponível por metro em solo franco, de que a cultura vive todo o verão.
O espaçamento largo dá a cada planta um reservatório de solo só seu, que é toda a base da técnica.
Só os 3 a 5 cm de cima, o suficiente para quebrar os canais capilares; sachar mais fundo corta as raízes que está a tentar proteger.
A produção por planta cai 30 a 50 por cento e o espaçamento largo reduz ainda mais a produção por metro quadrado, em troca de muito melhor sabor e de nenhum consumo de água.
Experimenta a sério: Cultive um canteiro em sequeiro esta estação
- Escolha o seu solo mais fundo e mais pesado e abra um buraco em março para confirmar que está húmido aos 60 cm
- Plante quatro tomateiros ou dois meloeiros a 1,5 metros de distância, fundos, e regue-os uma vez na plantação
- Ponha 10 cm de mulch de palha ou folhas em todo o círculo de espaçamento
- Mantenha o canteiro completamente livre de ervas e não volte a regar a não ser que as plantas murchem às 8h
- Pese a colheita e compare-a com uma planta regada da mesma variedade
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Lição seguinte: Armazenar e Esticar a Água →
Escrito e verificado pela equipa Human Skills com base nas fontes abaixo. Como verificamos o conteúdo
- FAO Crop Yield Response to Water
- University of California Agriculture and Natural Resources Dry Farming
- RHS Drought Resistant Gardening
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